domingo, janeiro 17, 2016
sábado, janeiro 09, 2016
Conta-gotas*
romance em conta-gotas:
um só pingo por dia
não faz lama nem poça
sede que não sacia
sopa minguada e insossa
o corpo implora por mar
e o coração, paciência
finco os pés na areia
e espero a maré subir
para unir-se às lágrimas
da passageira doença
banho de saudade corrente
Iemanjá, leva o triste presente
e traz de volta minha crença.
Amanda Vital
* Originalmete publicado no Recanto das Letras
não faz lama nem poça
sede que não sacia
sopa minguada e insossa
o corpo implora por mar
e o coração, paciência
finco os pés na areia
e espero a maré subir
para unir-se às lágrimas
da passageira doença
banho de saudade corrente
Iemanjá, leva o triste presente
e traz de volta minha crença.
Amanda Vital
* Originalmete publicado no Recanto das Letras
quinta-feira, janeiro 07, 2016
Dor de cabeça
é ver o espelho trincado
Justamente no lado
irreconhecível
do próprio rosto.
é ver o espelho trincado
Justamente no lado
irreconhecível
do próprio rosto.
Dor de cabeça
é não poder pagar
os três reais de pão
que faltaram ontem
com a declaração
dos direitos do homem.
Dor de cabeça
é olhar para as mãos
e ler o prazo de validade
do produto que se é:
inapto.
Dor de cabeça
é ser culpado
pelo que não escolheu.
É aceitar-se como doente.
É saber que a dor
sempre pode ser pior.
Jean Silveira
é não poder pagar
os três reais de pão
que faltaram ontem
com a declaração
dos direitos do homem.
Dor de cabeça
é olhar para as mãos
e ler o prazo de validade
do produto que se é:
inapto.
Dor de cabeça
é ser culpado
pelo que não escolheu.
É aceitar-se como doente.
É saber que a dor
sempre pode ser pior.
Jean Silveira
quarta-feira, janeiro 06, 2016
terça-feira, dezembro 15, 2015
Nem sons de alaúde
pois
nunca esperam
para revirar o chão
onde não sabemos
dançar
pois
nunca esperam
para revirar o chão
onde não sabemos
dançar
peço que
sopres o alento
para o mais longo
desvio,
deixemo-
lo cair por
lá,
minha parte,
enferma,
aceita que sejas
tanto figura secando
num ramo sem nome
como
aquela que não despede
os olhos
e descrês do
relógio, mas
descansando,
como que
sem pulmões e
por isso sem
ofegâncias,
quase me prova
que é uma graça
saber, tão
bem,
mentir
Jonatas Onofre
sopres o alento
para o mais longo
desvio,
deixemo-
lo cair por
lá,
minha parte,
enferma,
aceita que sejas
tanto figura secando
num ramo sem nome
como
aquela que não despede
os olhos
e descrês do
relógio, mas
descansando,
como que
sem pulmões e
por isso sem
ofegâncias,
quase me prova
que é uma graça
saber, tão
bem,
mentir
Jonatas Onofre
segunda-feira, dezembro 14, 2015
[vau
a respeito de espelhos,
esperas
e o pó das esporas,
soprado para
longe
a respeito de espelhos,
esperas
e o pó das esporas,
soprado para
longe
dúvida é o mesmo
que mácula
no átrio
e na camisa sem
estampas
do pensamento
um vento
levantando-a
de encontro
ao sol
é só a luz
superando
um horizonte
o dia
encravando
no dedo
isso de se
pôr
sensação,
pelas extremidades,
de que não será
possível
pés
e ainda vão matar
muito e morrer
assim,
durango
diz: não
e nem somos um
bando,
II
a respeito de expedições,
experts,
não sinalizar as
águas, espirrar
o rio antes
que ele
atravesse a
uretra
e aconteça
nas pedras, como
um câncer,
um inferno festivo
ou um vestígio
para nos deixar
depois,
sem depois,
numa trilha
de pólvora até
qualquer boca
minada
segure-se, kid
o mundo pode buscar
o teu surto
muito antes
do
combinado
durango
diz:
não é
tudo
e nem somos um
bando,
a outra banda
respira o que sobrou
de nós
o rio não, deus-
dará seu vau
mas
ninguém
atravessará]
Jonatas Onofre
que mácula
no átrio
e na camisa sem
estampas
do pensamento
um vento
levantando-a
de encontro
ao sol
é só a luz
superando
um horizonte
o dia
encravando
no dedo
isso de se
pôr
sensação,
pelas extremidades,
de que não será
possível
pés
e ainda vão matar
muito e morrer
assim,
durango
diz: não
e nem somos um
bando,
II
a respeito de expedições,
experts,
não sinalizar as
águas, espirrar
o rio antes
que ele
atravesse a
uretra
e aconteça
nas pedras, como
um câncer,
um inferno festivo
ou um vestígio
para nos deixar
depois,
sem depois,
numa trilha
de pólvora até
qualquer boca
minada
segure-se, kid
o mundo pode buscar
o teu surto
muito antes
do
combinado
durango
diz:
não é
tudo
e nem somos um
bando,
a outra banda
respira o que sobrou
de nós
o rio não, deus-
dará seu vau
mas
ninguém
atravessará]
Jonatas Onofre
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