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segunda-feira, agosto 01, 2016

outra narrativa cai e deixo
suspenso o olhar que sobre ela

espera
       faz barulho 
              sente medo

se  pisca por palavras se atropela



vai e volta de uma distância à outra
                  fonemas

                    sim

             percebe

mas além

de letras se escuta outra pessoa
mirando em meu olhar que cai também.


                                 Carlos Nascimento

domingo, abril 17, 2016

Depois que seca 
não morre mais não 

Parece que espera 
amadurecer outra vez 

Mas agora por dentro 
Como as conchas 
esquecidas pelo mar  

Trancada, disperça,  
Criando por dentro 
O que não nasce de uma vez.

          Carlos Nascimento 

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Este riso não é galope
 
e se vaza quando atravessa o céu da boca
é porque é urgente
quando a fala desanima
e se espera o romper de uma força qualquer.

                 Carlos Nascimento

quarta-feira, dezembro 09, 2015

Quem te pertence nesta via
chega bem perto do engenho
de quem te fez.

Argila
mutação do ferro
do chão

O ar parece o mesmo
e o vermelho se anuncia

Outra vez.

            Carlos Nascimento

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Fazer das Traves Desafio

Cercar o campo.
Com os olhos dizer
a memória que
acerta com os pés.
Seguir,
no giro, cair,
ver a bola passando.
Não poder mirar sem querer. 

              Carlos Nascimento

segunda-feira, novembro 02, 2015

Calar o silêncio

quero que este filme esteja entre nós
quando minha voz for saqueada

estarei contando frases no céu
e, se restar algo, devolverei meu perfume
a alguém que me olha num canto da sala.

                     Carlos Nascimento

sábado, outubro 24, 2015

O atlântico atravessando este continente
este continente que jamais suicidará a culpa
dormir não se sabe sob estas nuvens
digo
dormindo não se sobe tão alto.

                      Carlos Nascimento



terça-feira, setembro 15, 2015

Falava com pouca decência em mãos
mesmo buscando vogais com esses lábios ressecados
só as peles descascadas de seu rosto faziam-se voz mapiando o destino:

Imaginem os sem-calcanhares
imaginem a tumba dos santos saqueados no terraço
esses são nossos filhos
e até aqui ninguém nos ajudou.

                      Carlos Nascimento

quinta-feira, setembro 10, 2015

Ver o dia

esteja nesta casa para ouvir os restos de alguém
sem falar em perguntas
perfure seus poros
veja
hoje é sábado
suas pernas descansam 
e
mesmo escassas 
nenhuma calçada desiste de sua rua

              Carlos Nascimento




sábado, agosto 15, 2015

Sombra Sem Réstia

Pendo nesta folha.
Não diferente de uma esfera,
deslizo.

          Carlos Nascimento

sexta-feira, agosto 14, 2015

Tentei não olhar para os céus.

Era a cama desaguando-nos, o calor,
Ângela e eu percorrendo os lençóis.

                  Carlos Nascimento






sexta-feira, agosto 07, 2015

Não Basta uma piscina de colchões, 
para reparar meus sonhos. sem dese-
nhar mais um dilúvio, a medida do 
sono se espalha neste território some-
no, descaindo nas alturas de carbono, 
aparando as denúncias da matéria. Ma-
is que uma fração de tudo é necessário
para tal apreensão. Meus sonhos... 
Vivem Desertos de chão.

                    Carlos Nascimento


segunda-feira, agosto 03, 2015

Radi‐ação

Perto da mesa
o televisor devora

com seu toque de arranha‐céu

os controles remotos o cinzeiro
as pequenas coisas jogadas 
pelo rádio na parede rugosa

Os pântanos na ponta da antena
as sombras e algumas outras 
semelhanças de íons 
contracapas de tablets 
e demais iguarias alimentam 
o peixe palhaço mediador 
das radiofrequências 

único morador deste ecrã. 

Ao seu lado

não param de repetir 
um badalar de orelhas

coisa equidistante
música eletromagnética

Nenhum televisor 
está livre de vizinhanças.

                   Carlos Nascimento

domingo, agosto 02, 2015

O desejo

é passar pelos touros,
adentrar o curral,
socorrer Cleonice
de sua bondade.
Me despir da vontade
ganhadora de prêmios.
Travar mais desafios
com o consumo à frente.
Arregar da batalha
e dormir na primeira calçada
que enxergar nesta rua.
Encarar a insônia,
abraçar o engano,
viver longe de ti.

          Carlos Nascimento

sábado, agosto 01, 2015

Tua Boca há de salivar mãos. Sim. Este
é teu castigo por não aparar a língua e
evitar uma solda-memórica  em tua 
garganta.  As unhas arranharão tuas 
costas, despirão o feto inquilino de
tua espinha dorsal. Sim. Atrofiar os 
olhos sob aquela luz infinda, não nos
fez esquecer o vinho mofado na mesa
de páscoa, nem perder o medo de ver
nossos filhos lacrimejarem nossas úvulas.

                          Carlos Nascimento

sábado, julho 25, 2015

Tem uma parede em minha porta. Quando a porta solta aquele leite de porta e incha, a extremidade do chão esbarra em seus lábios e ela grita, me chama. Chamado de Porta não se atende. Deixa... Porta parece com gente: fala, resmunga, mas ninguém atende.
                                                                     Carlos Nascimento

quarta-feira, julho 22, 2015

Sabemos que te sei
Por isso não me olhes
com todos esses olhos
nem me beije com tantos
beijos assim
tu sabes também
Deixemos os carinhos para depois
Agora me abrace
pois o frio
neste momento
é meu maior inimigo. 

                Carlos Nascimento

sexta-feira, julho 17, 2015

Não é preciso tantas coisas
para se saber desse ruído
que me alarma quando
no ar
sinto teu suor ainda quente
passo a passo
silenciar meu sono.

             Carlos Nascimento

terça-feira, julho 14, 2015

Parece palavra,
quando de minha boca sai
rápida, junto com seu escudo
sonoro. E seria palavra, não
escondendo o verso, aquele
que não se encerra em ponto final
e escorre pela boca.
          
          Carlos Nascimento

domingo, julho 05, 2015

Estive sondando pedras:
Batendo em suas portas;
olhando pelas brechas.
Ô de casa! Alguém aí?
Algumas me atenderam:
Quer um café? Sim. Depois
de sentarmos, contaram algo
sobre as areias, caramujos,
e que dói parecer com paredes.
Paredes não são nada, não;
mas dói parecer com paredes,

Disseram. 

            Carlos Nascimento