outra narrativa cai e deixo
suspenso o olhar que sobre ela
espera
faz barulho
sente medo
se pisca por palavras se atropela
vai e volta de uma distância à outra
fonemas
sim
percebe
mas além
de letras se escuta outra pessoa
mirando em meu olhar que cai também.
Carlos Nascimento
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segunda-feira, agosto 01, 2016
domingo, abril 17, 2016
domingo, janeiro 17, 2016
sábado, janeiro 09, 2016
Conta-gotas*
romance em conta-gotas:
um só pingo por dia
não faz lama nem poça
sede que não sacia
sopa minguada e insossa
o corpo implora por mar
e o coração, paciência
finco os pés na areia
e espero a maré subir
para unir-se às lágrimas
da passageira doença
banho de saudade corrente
Iemanjá, leva o triste presente
e traz de volta minha crença.
Amanda Vital
* Originalmete publicado no Recanto das Letras
não faz lama nem poça
sede que não sacia
sopa minguada e insossa
o corpo implora por mar
e o coração, paciência
finco os pés na areia
e espero a maré subir
para unir-se às lágrimas
da passageira doença
banho de saudade corrente
Iemanjá, leva o triste presente
e traz de volta minha crença.
Amanda Vital
* Originalmete publicado no Recanto das Letras
quinta-feira, janeiro 07, 2016
Dor de cabeça
é ver o espelho trincado
Justamente no lado
irreconhecível
do próprio rosto.
é ver o espelho trincado
Justamente no lado
irreconhecível
do próprio rosto.
Dor de cabeça
é não poder pagar
os três reais de pão
que faltaram ontem
com a declaração
dos direitos do homem.
Dor de cabeça
é olhar para as mãos
e ler o prazo de validade
do produto que se é:
inapto.
Dor de cabeça
é ser culpado
pelo que não escolheu.
É aceitar-se como doente.
É saber que a dor
sempre pode ser pior.
Jean Silveira
é não poder pagar
os três reais de pão
que faltaram ontem
com a declaração
dos direitos do homem.
Dor de cabeça
é olhar para as mãos
e ler o prazo de validade
do produto que se é:
inapto.
Dor de cabeça
é ser culpado
pelo que não escolheu.
É aceitar-se como doente.
É saber que a dor
sempre pode ser pior.
Jean Silveira
quarta-feira, janeiro 06, 2016
terça-feira, dezembro 15, 2015
Nem sons de alaúde
pois
nunca esperam
para revirar o chão
onde não sabemos
dançar
pois
nunca esperam
para revirar o chão
onde não sabemos
dançar
peço que
sopres o alento
para o mais longo
desvio,
deixemo-
lo cair por
lá,
minha parte,
enferma,
aceita que sejas
tanto figura secando
num ramo sem nome
como
aquela que não despede
os olhos
e descrês do
relógio, mas
descansando,
como que
sem pulmões e
por isso sem
ofegâncias,
quase me prova
que é uma graça
saber, tão
bem,
mentir
Jonatas Onofre
sopres o alento
para o mais longo
desvio,
deixemo-
lo cair por
lá,
minha parte,
enferma,
aceita que sejas
tanto figura secando
num ramo sem nome
como
aquela que não despede
os olhos
e descrês do
relógio, mas
descansando,
como que
sem pulmões e
por isso sem
ofegâncias,
quase me prova
que é uma graça
saber, tão
bem,
mentir
Jonatas Onofre
segunda-feira, dezembro 14, 2015
[vau
a respeito de espelhos,
esperas
e o pó das esporas,
soprado para
longe
a respeito de espelhos,
esperas
e o pó das esporas,
soprado para
longe
dúvida é o mesmo
que mácula
no átrio
e na camisa sem
estampas
do pensamento
um vento
levantando-a
de encontro
ao sol
é só a luz
superando
um horizonte
o dia
encravando
no dedo
isso de se
pôr
sensação,
pelas extremidades,
de que não será
possível
pés
e ainda vão matar
muito e morrer
assim,
durango
diz: não
e nem somos um
bando,
II
a respeito de expedições,
experts,
não sinalizar as
águas, espirrar
o rio antes
que ele
atravesse a
uretra
e aconteça
nas pedras, como
um câncer,
um inferno festivo
ou um vestígio
para nos deixar
depois,
sem depois,
numa trilha
de pólvora até
qualquer boca
minada
segure-se, kid
o mundo pode buscar
o teu surto
muito antes
do
combinado
durango
diz:
não é
tudo
e nem somos um
bando,
a outra banda
respira o que sobrou
de nós
o rio não, deus-
dará seu vau
mas
ninguém
atravessará]
Jonatas Onofre
que mácula
no átrio
e na camisa sem
estampas
do pensamento
um vento
levantando-a
de encontro
ao sol
é só a luz
superando
um horizonte
o dia
encravando
no dedo
isso de se
pôr
sensação,
pelas extremidades,
de que não será
possível
pés
e ainda vão matar
muito e morrer
assim,
durango
diz: não
e nem somos um
bando,
II
a respeito de expedições,
experts,
não sinalizar as
águas, espirrar
o rio antes
que ele
atravesse a
uretra
e aconteça
nas pedras, como
um câncer,
um inferno festivo
ou um vestígio
para nos deixar
depois,
sem depois,
numa trilha
de pólvora até
qualquer boca
minada
segure-se, kid
o mundo pode buscar
o teu surto
muito antes
do
combinado
durango
diz:
não é
tudo
e nem somos um
bando,
a outra banda
respira o que sobrou
de nós
o rio não, deus-
dará seu vau
mas
ninguém
atravessará]
Jonatas Onofre
domingo, dezembro 13, 2015
quarta-feira, dezembro 09, 2015
segunda-feira, dezembro 07, 2015
terça-feira, novembro 10, 2015
samara
há um e-mail que me chega por engano
15:46 da última quarta-feira do mês
sei bem, a criança que morre no arame farpado
não sorri, ou sorri
se nunca tivesse
sorrido antes na vida
tudo sempre numa curva
as pontas dos dedos cansadas
de escavar a própria carne a procura
do mel, do sal da boca, da conserva, do gosto amargo da primavera
enquanto se corta e contorce, em meio ao capim
a coceira, ela pensa ainda
nas freiadas bruscas da bicicleta
pra levantar o pneu traseiro
e pensa no mar, no que é vasto
no passei de barco no próximo verão
enquanto há ar, há um próximo verão
e bate os pezinhos chatos no chão e grita, tentando
se livrar, a última palavra que aprendeu em
grupos de três, é tétrico tétrico tétrico
pausa, o verão, o sal, o mel, e a limpeza
da caixa de entrada
Guilherme Conde
há um e-mail que me chega por engano
15:46 da última quarta-feira do mês
sei bem, a criança que morre no arame farpado
não sorri, ou sorri
se nunca tivesse
sorrido antes na vida
tudo sempre numa curva
as pontas dos dedos cansadas
de escavar a própria carne a procura
do mel, do sal da boca, da conserva, do gosto amargo da primavera
enquanto se corta e contorce, em meio ao capim
a coceira, ela pensa ainda
nas freiadas bruscas da bicicleta
pra levantar o pneu traseiro
e pensa no mar, no que é vasto
no passei de barco no próximo verão
enquanto há ar, há um próximo verão
e bate os pezinhos chatos no chão e grita, tentando
se livrar, a última palavra que aprendeu em
grupos de três, é tétrico tétrico tétrico
pausa, o verão, o sal, o mel, e a limpeza
da caixa de entrada
Guilherme Conde
sábado, novembro 07, 2015
[rexistir a que será que se desatina?]
pois quando
tu não me
empenhaste
a vulva
estricnina
vi que não eras
parecias
pois quando
tu não me
empenhaste
a vulva
estricnina
vi que não eras
parecias
[rexistir
a que será
que se
calcina?]
assumo tudo
onde nada
assina
e a vida nunca
e a dor
ensina.
[rexistir
a que será
que será
que ser
à que
andam
mentindo
atrás de
mim?]
Jonatas Onofre
a que será
que se
calcina?]
assumo tudo
onde nada
assina
e a vida nunca
e a dor
ensina.
[rexistir
a que será
que será
que ser
à que
andam
mentindo
atrás de
mim?]
Jonatas Onofre
quinta-feira, novembro 05, 2015
segunda-feira, novembro 02, 2015
sábado, outubro 24, 2015
quinta-feira, outubro 22, 2015
[Já olhaste profundamente para
as riscas da tua mão?]
Guarde a risada
para depois de
talvez
e não faça mais
perguntas,
não queira saber
de que lado
partirá a próxima
mão a estalar
na tua cara
as riscas da tua mão?]
Guarde a risada
para depois de
talvez
e não faça mais
perguntas,
não queira saber
de que lado
partirá a próxima
mão a estalar
na tua cara
não percebes que
as coisas, as pessoas
e os cães andam
cada vez mais
mordidos por essas
luas?
Tu insistes
em lhes oferecer
a carne dos braços,
os véus
dúbios do sexo
e as vogais
raquíticas, semi-
áridas da
garganta
Eles só
conhecem o que
é dentes,
ranger de dentes,
fome e essa espécie
de gente, ou
presa, a que
pertences, sim
tu és destes
que nunca crescem,
ficam idiotas,
suspensos
no ar de alguma
infância obscura
e por isso sempre
servem bem como
pasto
para as feras
Será que só
aprendes quando
estás
com o pescoço
entre mandíbulas?
Quantas vezes mais
tua mão evitará
o golpe tranquilo
entre os
olhos?
Não insista na
tolice de
ignorar o que
as riscas, os
garranchos,
as elipses
entre teus dedos
querem dizer
isso que pensas
ser
sorte, pode muito
bem significar
apenas
um leve atraso
daquilo
que nunca pede
licença
para acontecer
Jonatas Onofre
as coisas, as pessoas
e os cães andam
cada vez mais
mordidos por essas
luas?
Tu insistes
em lhes oferecer
a carne dos braços,
os véus
dúbios do sexo
e as vogais
raquíticas, semi-
áridas da
garganta
Eles só
conhecem o que
é dentes,
ranger de dentes,
fome e essa espécie
de gente, ou
presa, a que
pertences, sim
tu és destes
que nunca crescem,
ficam idiotas,
suspensos
no ar de alguma
infância obscura
e por isso sempre
servem bem como
pasto
para as feras
Será que só
aprendes quando
estás
com o pescoço
entre mandíbulas?
Quantas vezes mais
tua mão evitará
o golpe tranquilo
entre os
olhos?
Não insista na
tolice de
ignorar o que
as riscas, os
garranchos,
as elipses
entre teus dedos
querem dizer
isso que pensas
ser
sorte, pode muito
bem significar
apenas
um leve atraso
daquilo
que nunca pede
licença
para acontecer
Jonatas Onofre
terça-feira, outubro 20, 2015
um copo seria
o suficiente
para diluir
o gosto da
caligrafia,
fazer chover
no cárcere
deste atraso,
devolver
o inferno
aos abissais.
essa calma
tropeça,
memória
pende feito
grão, móbile
à barlavento.
o corpo resiste
ao ímpeto do sal;
mas não há
oceano que
saiba regar
esta casa.
um copo seria
o suficiente.
um copo,
mais nada.
Camillo José
o suficiente
para diluir
o gosto da
caligrafia,
fazer chover
no cárcere
deste atraso,
devolver
o inferno
aos abissais.
essa calma
tropeça,
memória
pende feito
grão, móbile
à barlavento.
o corpo resiste
ao ímpeto do sal;
mas não há
oceano que
saiba regar
esta casa.
um copo seria
o suficiente.
um copo,
mais nada.
Camillo José
segunda-feira, outubro 19, 2015
[a fúria do peixe]
se tentam ferir
meus pés
não procuro
acordos de paz
falar tem se
tornado cada vez
mais
um mero ganir
pelas sombras
e eu já tenho
fastio demais
para responder
ainda mais por
saber que
há tempo de ouvir
o que ninguém tem
coragem de anotar
e há tempo de
esquecer como
chamar alguém
pelo nome
não descuidarei
posso jurar
que algum rosto
escora uma porta
e sorri de mim
sou mesmo
uma fé que fere
há que se pagar
o preço de não
subir
à superfície para
respirar
se tentam ferir
meus pés
não procuro
acordos de paz
falar tem se
tornado cada vez
mais
um mero ganir
pelas sombras
e eu já tenho
fastio demais
para responder
ainda mais por
saber que
há tempo de ouvir
o que ninguém tem
coragem de anotar
e há tempo de
esquecer como
chamar alguém
pelo nome
não descuidarei
posso jurar
que algum rosto
escora uma porta
e sorri de mim
sou mesmo
uma fé que fere
há que se pagar
o preço de não
subir
à superfície para
respirar
domingo, outubro 18, 2015
another castle
tua beleza me dói
como um tijolo
tua beleza me dói
como um tijolo
maciço de 16 bits
sobre as falanges,
esta nívea candura
é pêssego radioativo,
amanita muscaria
para desavisados;
piedade, miss
murder, piedade.
não me condene
ao nomadismo
esquizo-paranóide
desta tortuosa estrada
de encanamentos,
me poupe do egoísmo
de sacrificar estes laços
jurássico-familiares
pela irreverência
de um checkpoint.
este paraíso está
por um glitch, let's
make the best of
the situation before
we finally go insane.
a solidão virá a conta-
gotas - no poems for
a while - você sabe,
ninguém deveria
gastar sapatos per-
seguindo fantasmas,
dinamitando castelos,
aborrecendo auroras.
Camillo José
sobre as falanges,
esta nívea candura
é pêssego radioativo,
amanita muscaria
para desavisados;
piedade, miss
murder, piedade.
não me condene
ao nomadismo
esquizo-paranóide
desta tortuosa estrada
de encanamentos,
me poupe do egoísmo
de sacrificar estes laços
jurássico-familiares
pela irreverência
de um checkpoint.
este paraíso está
por um glitch, let's
make the best of
the situation before
we finally go insane.
a solidão virá a conta-
gotas - no poems for
a while - você sabe,
ninguém deveria
gastar sapatos per-
seguindo fantasmas,
dinamitando castelos,
aborrecendo auroras.
Camillo José
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