domingo, dezembro 13, 2015

Espelho

sofro a morte em mim,
nascimento
vivo a arte enfim,
meu momento
sou o amor apenas
como invento
nada em mim
causa-me vão orgulho
sou cada vez mais
sombra, entulho
sobra-me a alma
em voz: o barulho

             Zizo

quarta-feira, dezembro 09, 2015

Quem te pertence nesta via
chega bem perto do engenho
de quem te fez.

Argila
mutação do ferro
do chão

O ar parece o mesmo
e o vermelho se anuncia

Outra vez.

            Carlos Nascimento

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Fazer das Traves Desafio

Cercar o campo.
Com os olhos dizer
a memória que
acerta com os pés.
Seguir,
no giro, cair,
ver a bola passando.
Não poder mirar sem querer. 

              Carlos Nascimento

terça-feira, novembro 10, 2015

samara


há um e-mail que me chega por engano
15:46 da última quarta-feira do mês
sei bem, a criança que morre no arame farpado
não sorri, ou sorri
se nunca tivesse
sorrido antes na vida
tudo sempre numa curva
as pontas dos dedos cansadas
de escavar a própria carne a procura
do mel, do sal da boca, da conserva, do gosto amargo da primavera
enquanto se corta e contorce, em meio ao capim
a coceira, ela pensa ainda
nas freiadas bruscas da bicicleta
pra levantar o pneu traseiro
e pensa no mar, no que é vasto
no passei de barco no próximo verão
enquanto há ar, há um próximo verão
e bate os pezinhos chatos no chão e grita, tentando
se livrar, a última palavra que aprendeu em
grupos de três, é tétrico tétrico tétrico
pausa, o verão, o sal, o mel, e a limpeza
da caixa de entrada



                         Guilherme Conde

sábado, novembro 07, 2015

[rexistir a que será que se desatina?]

pois quando
tu não me
empenhaste

a vulva
estricnina
vi que não eras
parecias


[rexistir
a que será
que se
calcina?]

assumo tudo
onde nada
assina

e a vida nunca
e a dor

ensina.

[rexistir
a que será
que será
que ser
à que
andam
mentindo
atrás de
mim?]

           Jonatas Onofre

quinta-feira, novembro 05, 2015

3. i want to be with you on doomsday

essa
fome:

arma em-
briológica

telegrama
militar

insípido
caractere

silêncio
bifronte

cardíaco
talismã

beijo sem
mitologia

obtuso
objeto

de ferir
ovários

anônima
assinatura

atômica
aparição.

          Camillo José