Forma a todo vapor bem
se instaura. Vê-se logo, o olho. Olho
o poema,
o trem, suas curvas.
Tudo nali é nuvem, pesada. Quem
se atreve em frente
vem coisa.
Guilherme Delgado
quinta-feira, julho 16, 2015
quarta-feira, julho 15, 2015
Não existe poema impossível de ser musicado. Existe poema que exige a (re)invenção de tudo o que aceitamos como música - seja pela ótica ocidental e seu chatíssimo sistema tonal tradicional, seja pelas lombras interessantíssimas dos microtons orientais, seja pela vibe absolutamente atordoante dos batuques e loas mais tribais, seja pela arquitetura fabulosa e ao mesmo tempo aprisionante da tradição erudita européia, seja pelas dissonâncias e cacoetes do jazz, seja pela pulsação envolvente do reggae, seja pelas rupturas e aventuras e irritações guturais do rock, seja pela ousadia morna da música de vanguarda (favor não rir dessa palavrinha ligeira), seja pelo velho bolerão tocando para os corneados do bar da esquina e seja assim por diante... - pois creio com muita força na música que naturalmente possui todo poema. Posso ouvi-la no fonema depois na palavra depois no verso e assim até chegar a toda a estrutura e aos próprios campos semânticos, às relações todas de sentido formando os contrapontos e as harmonias vocais, os arranjos que vão vestindo o que está sendo dito nas linhas. Desse jeito chegaremos logo à - parece-me que - irônica conclusão:Não existe poema impossível de ser musicado. Existe poema impossível de ser tocado?
Jonatas Onofre
terça-feira, julho 14, 2015
segunda-feira, julho 13, 2015
[para ana cristina césar]
a musa está cansada, seus
olhos de raio laser cegaram
de tédio e sua ossatura kitsch
já não suporta outra pose.
olhos de raio laser cegaram
de tédio e sua ossatura kitsch
já não suporta outra pose.
desista das dedicatórias.
a musa quer dinamitar
o parnaso, tirar o sutiã
e passar a madrugada
na companhia de hot-
dogs e downloads ilegais.
o parnaso, tirar o sutiã
e passar a madrugada
na companhia de hot-
dogs e downloads ilegais.
não é por você que dobram
os sinos da musa, decote à
propósito nunca houve.
os sinos da musa, decote à
propósito nunca houve.
com ar de kawaii, você tenta
estacionar sua mistery machine
entre essas pernas de mármore,
improvisar uma jam session
com as melhores beatles songs
estacionar sua mistery machine
entre essas pernas de mármore,
improvisar uma jam session
com as melhores beatles songs
entretanto a musa te conhece
de scripts anteriores, ela sabe
o que você fez no poema passado.
de scripts anteriores, ela sabe
o que você fez no poema passado.
mesmo assim, você permanece
conspirando sonetos, invocando
sua presença como quem insiste
em procurar um palheiro na agulha.
conspirando sonetos, invocando
sua presença como quem insiste
em procurar um palheiro na agulha.
diga-me uma palavra única
diga-me que a literatura
diga-me que a literatura
a musa comprou headphones,
não espere que ela apareça.
não espere que ela apareça.
Camillo José
domingo, julho 12, 2015
Ó voz do fogo:
furiosa dançarina.
furiosa dançarina.
Olhai em nós
que te escutamos
tão atentos
e sorrimos
e choramos
tua dor azulada,
teu idioma de estalos
e enigmáticas figuras.
que te escutamos
tão atentos
e sorrimos
e choramos
tua dor azulada,
teu idioma de estalos
e enigmáticas figuras.
Ó voz do fogo:
nossa mais imunda
agonia
correndo pelas veias.
nossa mais imunda
agonia
correndo pelas veias.
Olhai em nós.
Ó voz do fogo
ide à merda
desses dias e nos leve
consigo
no bojo de tua aparência
sã.
Não és pura,
és muito mais rouca,
rasgando pelas narinas
de uma divindade
atônita
a oração solitária.
ide à merda
desses dias e nos leve
consigo
no bojo de tua aparência
sã.
Não és pura,
és muito mais rouca,
rasgando pelas narinas
de uma divindade
atônita
a oração solitária.
Ó voz do fogo:
transmita-nos
o calor de teu pânico.
transmita-nos
o calor de teu pânico.
Jonatas Onofre
sábado, julho 11, 2015
Trecho do Filme Book Of Days, de Meredith Monk.
Mais em: http://www.meredithmonk.org/media/bookofdays.html
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