Livros
Ando lento
ando lendo
não entendo
nem aprendo
sinto
me sinto
vivo
livre
livro...
Philipe França
in Do Amor, Do Mundo.
sábado, outubro 17, 2015
sábado, outubro 03, 2015
segunda-feira, setembro 21, 2015
select character: axel/blaze
what a wicked game to play:
esse jeito de viver em guerra
com o protetor solar, essa mania
escolar de não trocar as roupas;
somos os inglórios do comitê
revolucionário ultrajovem e
temos gemido com o ímpeto
de ringtones polifônicos,
caçado níqueis e pidgeottos
em atlantic city e cozinhado
nazi scalps ao modo de
shoshanna. — theat me like
your pet shop boys, draw me
like one of your suicide girls —
o taco ao alcance do jackpot,
joelhos posicionados para o
home-run. tuas coxas revestidas
de látex no escurinho do cinema,
nosso sangue vermelho-groselha
escoa gratuito na tela do continue.
som & fúria catalisados em objetos
cortantes e conversações libidinosas:
a poem by
quentin tarantino.
Camillo José
what a wicked game to play:
esse jeito de viver em guerra
com o protetor solar, essa mania
escolar de não trocar as roupas;
somos os inglórios do comitê
revolucionário ultrajovem e
temos gemido com o ímpeto
de ringtones polifônicos,
caçado níqueis e pidgeottos
em atlantic city e cozinhado
nazi scalps ao modo de
shoshanna. — theat me like
your pet shop boys, draw me
like one of your suicide girls —
o taco ao alcance do jackpot,
joelhos posicionados para o
home-run. tuas coxas revestidas
de látex no escurinho do cinema,
nosso sangue vermelho-groselha
escoa gratuito na tela do continue.
som & fúria catalisados em objetos
cortantes e conversações libidinosas:
a poem by
quentin tarantino.
Camillo José
domingo, setembro 20, 2015
O rosto de benedita vincado, vincado de rugas tão belas. que benedita
ainda é moça. apesar de mãe, vó, bisa. oitent'anos de mocidade sob o
lenço. assim ela consola os cabelos. mais que de prata eles são. à
vista. só os poucos que se derramam do tecido grosso. sem estampas. os
olhos, os olhos de benedita olham sim. e sempre a parte de mais incêndio
em qualquer corpo. é um corpo pouco. o dela. pequenas. roupas alvas.
ariadas em pedra de rio. a boca de benedita murcha, murcha é
também uma flor tão luminosa. sabe-se que agora não se lamenta pelos
dentes. pela ausência de qualquer coisa. que tudo o que resta já guarda
como dádiva. a essa altura não há razão de lixo na vida. nunca houve
pronúncia de luxo. nem de temor da loucura. os sãos oprimem com ferrões e
lucidez. ela prefere o barro. as mãos mudando a cor debaixo de chuva.
as veias regidas por outra maneira de desembestar o coração. viver mais
do que sempre. o exercício amanhecido de gargalhar nas encruzilhadas.
uma vila inteira não ouvindo a voz. a voz de benedita. dobrando
esquinas. subindo telhados. revirando folhas nos quintais. benedita moça
de novo. moça sempre. dia após era. era após hora. família vivendo as
lonjuras de ser família. dos cuidados. dos medos. qualquer dia uma
queda. um coração espocando na ladeira. uma cabeça partida em cacos de
argila. e o corpo como aquele pote que a menina benedita estirava no
chão de terra batida de mãe. tempo que não se sabe o quanto tem de
ontem. de agora. o corpo como pote fica no chão todo manso em ser coisa
quebrada. o é. chão cicatrizado de tanto passo de gente e bicho.
Benedita morre não. sabe. volta a ser mais que pó. mais que barro. mais
que estátua na praça. pequena entre casas de taipa. as mãos de benedita
cálidas, cálidas franzindo as roupas do noivo. moço agora. como ela.
desenterrado do canteiro lateral do cemitério. o juízo de benedita
dizem. perdido. um dia ela voltando do rio e já nas costelas trazia
aquela risada. ninguém devia espantar-se com isso. filhos e filhas.
todos só precisam louvar seus longos cabelos. os mistérios de sua pele
toda escrevinhada. décadas e décadas. benedita pregando-se nua nos
varais. benedita esquecendo a língua inútil dos homens. benedita morre
não. sabe. ninguém nunca resiste a tal amor. Ninguém vive não. só se um
dia sentar nu. abraçar o chão junto com ela. e pedir. vó benedita
ensina que a gente aprende. ensina que a gente cansou de razão. ensina
que agora a gente quer viver. viver vida mesmo. viver verdade.
Jonatas Onofre
Jonatas Onofre
sábado, setembro 19, 2015
trompe-l’œil
quando perdi a quarta namorada
ganhei um porquinho-da-índia
da professora de morfossintaxe.
quando perdi a quarta namorada
ganhei um porquinho-da-índia
da professora de morfossintaxe.
[que dor no coração me dava]
perdi o trem para green hill,
a vontade de salvar a cidade
de townsville, as partituras
de ocarina e o apreço por rick
astley. eu simulava honey-
moons, escrevia fanfics, o
convidava para double
dates. ele não revidava.
preferia dormir entre o
cooler e os slots de memória
a roer as fronteiras da cama,
não fazia caso nenhum de
minhas sodomias e literaturas.
— o meu porquinho-da-índia
foi minha primeira dakimakura.
Camillo José
perdi o trem para green hill,
a vontade de salvar a cidade
de townsville, as partituras
de ocarina e o apreço por rick
astley. eu simulava honey-
moons, escrevia fanfics, o
convidava para double
dates. ele não revidava.
preferia dormir entre o
cooler e os slots de memória
a roer as fronteiras da cama,
não fazia caso nenhum de
minhas sodomias e literaturas.
— o meu porquinho-da-índia
foi minha primeira dakimakura.
Camillo José
sexta-feira, setembro 18, 2015
Praga & Paga
Em breve ele será apenas o pó que veste o
corpo e nada mais terá a dizer afinal tudo se despede e o cadáver
grávido de amanhã não nos interessa.coragem é pensar e não mentir
ao menos para si quando tudo que é chão trai e o espelho cheio de
sarcasmo chama pra conversar e não te responde mais. é o que ele pensa. a
mais arrogante ingenuidade. sua crença cairá no último fio de cabelo
como uma praga purgando suas dívidas. todas. para que assim aprenda como
nunca. e ao sussurrar no espaço aéreo
de uma overdose: perdoei-me. engendre apenas a pronúncia de uma
conjugação obsoleta incrustada no mais remoto de seu passado. como um
trauma de infância. um crime inconfessável. uma perversão engolida no
sêmen de cada noite. patético. só agora percebe: não sabe mais dizer
amém, amem. talvez achar que sabia tenha sido sua maior ilusão. dentre
todas. todas. favor não ter pena dele. não é necessário. na vida real
esse tipo de depoimento classifica-se como melodrama barato. não se meta
medo. não se meta nisso. o que se pode fazer. azar? o nosso que nunca.
acho que significa até uma espécie de sorte pra ele. sim. uma sorte como
uma navalha, uma gravata, um vidro todo de calmantes na hora exata em
que a fuga solicita. exige. sabe o que é? é o que vale: nada de esquecer
nossos umbigos. não serve. ele só sacou como a coisa toda caminha. só
isso. deixe-o às voltas com suas próprias mãos. ninguém precisa se sujar
além daquele balde de lama que recebeu ao nascer para equilibrar sobre a
cabeça e com o qual deve se desdobrar até o último tropeço. o que
podemos pensar? nele? já disse que não vale nossa pena. resolve-se antes
de nós, inclusive. e para nossa inveja silenciosa, despeitada,
escondida sob o falso espanto e a piedosa reprovação. ele saberá
extraviar-se. é a coisa. a única que a gente nunca desaprende. parece
até que sempre começamos de um jeito diferente para encerrar assim. mas
não vou falar de certezas. tenho medo. digo que parece. basta. ele
começou assim: dizendo o que era. o que não era. conversas de crer. vê. é
possível? quero rir. muito. não dá pra ser menino toda vida. entre a
praga e a paga esperto é quem sai de cobrador. trate de sufocar qualquer
misericórdia. piedade é para quem tem ganas de se jogar das alturas
esperando asas. talvez anjos. sendo que o tesão está em pisar bem essa
terra estuprada. abraçar o corpanzil suculento de nossa crueldade. ser
gente como gente de fato deve ser. chaga e imundície. famintos por
desgraças. saiba que já se foi o tempo de serventia dos heróis. e
falando em tempo. esse que é nosso não passa de uma grande porcaria
esvaindo-se como um vazamento de privada. entende agora? nada mais que
fezes. não pense mais nele. certo? em breve será apenas o pó que veste o
corpo e nada mais terá a dizer. você tem que se conformar. Não? Nunca?
Aí sim o azar passa a ser teu também. E eu não quero fazer nada. Eu só
estou aqui para cobrar.
Jonatas Onofre
Jonatas Onofre
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